quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A tinta vermelha: discurso de Slavoj Žižek aos manifestantes do movimento Occupy Wall Street




Slavoj Žižek visitou a Liberty Plaza, em Nova Iorque, para falar ao acampamento de manifestantes do movimento Occupy Wall Street (Ocupe Wall Street), que vem protestando contra a crise financeira e o poder econômico norte-americano desde o início de setembro deste ano.


O filósofo nos enviou a íntegra de seu discurso para publicarmos em nosso Blog, que segue abaixo em tradução de Rogério Bettoni.


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Não se apaixonem por si mesmos, nem pelo momento agradável que estamos tendo aqui. Carnavais custam muito pouco – o verdadeiro teste de seu valor é o que permanece no dia seguinte, ou a maneira como nossa vida normal e cotidiana será modificada. Apaixone-se pelo trabalho duro e paciente – somos o início, não o fim. Nossa mensagem básica é: o tabu já foi rompido, não vivemos no melhor mundo possível, temos a permissão e a obrigação de pensar em alternativas. Há um longo caminho pela frente, e em pouco tempo teremos de enfrentar questões realmente difíceis – questões não sobre aquilo que não queremos, mas sobre aquilo que QUEREMOS. Qual organização social pode substituir o capitalismo vigente? De quais tipos de líderes nós precisamos? As alternativas do século XX obviamente não servem.


Então não culpe o povo e suas atitudes: o problema não é a corrupção ou a ganância, mas o sistema que nos incita a sermos corruptos. A solução não é o lema “Main Street, not Wall Street”, mas sim mudar o sistema em que a Main Street não funciona sem o Wall Street. Tenham cuidado não só com os inimigos, mas também com falsos amigos que fingem nos apoiar e já fazem de tudo para diluir nosso protesto. Da mesma maneira que compramos café sem cafeína, cerveja sem álcool e sorvete sem gordura, eles tentarão transformar isto aqui em um protesto moral inofensivo. Mas a razão de estarmos reunidos é o fato de já termos tido o bastante de um mundo onde reciclar latas de Coca-Cola, dar alguns dólares para a caridade ou comprar um cappuccino da Starbucks que tem 1% da renda revertida para problemas do Terceiro Mundo é o suficiente para nos fazer sentir bem. Depois de terceirizar o trabalho, depois de terceirizar a tortura, depois que as agências matrimoniais começaram a terceirizar até nossos encontros, é que percebemos que, há muito tempo, também permitimos que nossos engajamentos políticos sejam terceirizados – mas agora nós os queremos de volta.


Dirão que somos “não americanos”. Mas quando fundamentalistas conservadores nos disserem que os Estados Unidos são uma nação cristã, lembrem-se do que é o Cristianismo: o Espírito Santo, a comunidade livre e igualitária de fiéis unidos pelo amor. Nós, aqui, somos o Espírito Santo, enquanto em Wall Street eles são pagãos que adoram falsos ídolos.


Dirão que somos violentos, que nossa linguagem é violenta, referindo-se à ocupação e assim por diante. Sim, somos violentos, mas somente no mesmo sentido em que Mahatma Gandhi foi violento. Somos violentos porque queremos dar um basta no modo como as coisas andam – mas o que significa essa violência puramente simbólica quando comparada à violência necessária para sustentar o funcionamento constante do sistema capitalista global?


Seremos chamados de perdedores – mas os verdadeiros perdedores não estariam lá em Wall Street, os que se safaram com a ajuda de centenas de bilhões do nosso dinheiro? Vocês são chamados de socialistas, mas nos Estados Unidos já existe o socialismo para os ricos. Eles dirão que vocês não respeitam a propriedade privada, mas as especulações de Wall Street que levaram à queda de 2008 foram mais responsáveis pela extinção de propriedades privadas obtidas a duras penas do que se estivéssemos destruindo-as agora, dia e noite – pense nas centenas de casas hipotecadas…


Nós não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que merecidamente entrou em colapso em 1990 – e lembrem-se de que os comunistas que ainda detêm o poder atualmente governam o mais implacável dos capitalismos (na China). O sucesso do capitalismo chinês liderado pelo comunismo é um sinal abominável de que o casamento entre o capitalismo e a democracia está próximo do divórcio. Nós somos comunistas em um sentido apenas: nós nos importamos com os bens comuns – os da natureza, do conhecimento – que estão ameaçados pelo sistema.


Eles dirão que vocês estão sonhando, mas os verdadeiros sonhadores são os que pensam que as coisas podem continuar sendo o que são por um tempo indefinido, assim como ocorre com as mudanças cosméticas. Nós não estamos sonhando; nós acordamos de um sonho que está se transformando em pesadelo. Não estamos destruindo nada; somos apenas testemunhas de como o sistema está gradualmente destruindo a si próprio. Todos nós conhecemos a cena clássica dos desenhos animados: o gato chega à beira do precipício e continua caminhando, ignorando o fato de que não há chão sob suas patas; ele só começa a cair quando olha para baixo e vê o abismo. O que estamos fazendo é simplesmente levar os que estão no poder a olhar para baixo…


Então, a mudança é realmente possível? Hoje, o possível e o impossível são dispostos de maneira estranha. Nos domínios da liberdade pessoal e da tecnologia científica, o impossível está se tornando cada vez mais possível (ou pelo menos é o que nos dizem): “nada é impossível”, podemos ter sexo em suas mais perversas variações; arquivos inteiros de músicas, filmes e seriados de TV estão disponíveis para download; a viagem espacial está à venda para quem tiver dinheiro; podemos melhorar nossas habilidades físicas e psíquicas por meio de intervenções no genoma, e até mesmo realizar o sonho tecnognóstico de atingir a imortalidade transformando nossa identidade em um programa de computador. Por outro lado, no domínio das relações econômicas e sociais, somos bombardeados o tempo todo por um discurso do “você não pode” se envolver em atos políticos coletivos (que necessariamente terminam no terror totalitário), ou aderir ao antigo Estado de bem-estar social (ele nos transforma em não competitivos e leva à crise econômica), ou se isolar do mercado global etc. Quando medidas de austeridade são impostas, dizem-nos repetidas vezes que se trata apenas do que tem de ser feito. Quem sabe não chegou a hora de inverter as coordenadas do que é possível e impossível? Quem sabe não podemos ter mais solidariedade e assistência médica, já que não somos imortais?


Em meados de abril de 2011, a mídia revelou que o governo chinês havia proibido a exibição, em cinemas e na TV, de filmes que falassem de viagens no tempo e histórias paralelas, argumentando que elas trazem frivolidade para questões históricas sérias – até mesmo a fuga fictícia para uma realidade alternativa é considerada perigosa demais. Nós, do mundo Ocidental liberal, não precisamos de uma proibição tão explícita: a ideologia exerce poder material suficiente para evitar que narrativas históricas alternativas sejam interpretadas com o mínimo de seriedade. Para nós é fácil imaginar o fim do mundo – vide os inúmeros filmes apocalípticos –, mas não o fim do capitalismo.





Em uma velha piada da antiga República Democrática Alemã, um trabalhador alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que todas as suas correspondências serão lidas pelos censores, ele diz para os amigos: “Vamos combinar um código: se vocês receberem uma carta minha escrita com tinta azul, ela é verdadeira; se a tinta for vermelha, é falsa”. Depois de um mês, os amigos receberam a primeira carta, escrita em azul: “Tudo é uma maravilha por aqui: os estoques estão cheios, a comida é abundante, os apartamentos são amplos e aquecidos, os cinemas exibem filmes ocidentais, há mulheres lindas prontas para um romance – a única coisa que não temos é tinta vermelha.” E essa situação, não é a mesma que vivemos até hoje? Temos toda a liberdade que desejamos – a única coisa que falta é a “tinta vermelha”: nós nos “sentimos livres” porque somos desprovidos da linguagem para articular nossa falta de liberdade. O que a falta de tinta vermelha significa é que, hoje, todos os principais termos que usamos para designar o conflito atual – “guerra ao terror”, “democracia e liberdade”, “direitos humanos” etc. etc. – são termos FALSOS que mistificam nossa percepção da situação em vez de permitir que pensemos nela. Você, que está aqui presente, está dando a todos nós tinta vermelha.












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Slavoj Žižek nasceu na cidade de Liubliana, Eslovênia, em 1949. É filósofo, psicanalista e um dos principais teóricos contemporâneos. Transita por diversas áreas do conhecimento e, sob influência principalmente de Karl Marx e Jacques Lacan, efetua uma inovadora crítica cultural e política da pós-modernidade. Professor da European Graduate School e do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, Žižek preside a Society for Theoretical Psychoanalysis, de Liubliana, e é um dos diretores do centro de humanidades da University of London. Dele, a Boitempo publicou Bem-vindo ao deserto do Real! (2003), Às portas da revolução (escritos de Lenin de 1917) (2005), A visão em paralaxe (2008), Lacrimae rerum (2009) e os mais recentes Em defesa das causas perdidas e Primeiro como tragédia, depois como farsa(ambos de 2011).




Retirado de: http://boitempoeditorial.wordpress.com/2011/10/11/a-tinta-vermelha-discurso-de-slavoj-zizek-aos-manifestantes-do-movimento-occupy-wall-street/

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Por uma Educação de Qualidade

Cadê a JUSTIÇA MINEIRA? O governo criou uma situação embaraçosa para os professores, alunos, pais e sociedade. A cada hora a imprensa publica um fato. Até semana passada o governo divulgava que já pagava mais que o piso salarial aprovado pelo STF, mas pelo jeito não era mesmo verdade, porque não é possível que esses professores estivessem parados por todos esses dias, porque querem ajudar o govern...o a gastar menos com a folha de pessoal, por aí já víamos que o discurso não era real. Agora, o governo cria um novo subsídio, a própria Secretária de Educação disse à Imprensa na semana passada que precisava corrigir erros gravíssimos cometidos pelo subsídio, instituído em janeiro, pois os funcionários antigos foram muito prejudicados, ADMITIU ISSO PUBLICAMENTE. Ontem saiu a publicação do ACÓRDÃO, a imprensa noticia que os governos serão obrigados a cumprirem a LEI, agora vem outra secretária, a do PLANEJAMENTO, dizer que se tiver que pagar mesmo, o ESTADO vai pagar O PISO. Que coisa é essa, mas a Secretária de Educação e a própria Renata Vilhena não têm dito, desde junho, que o GOVERNO já paga o PISO? Como que agora sendo obrigado a PAGAR vai PASSAR A PAGAR? E os servidores que foram levados a ficar no subsídio, pelo jeito cairam numa armadilha, igual rato na ratoreira. Porque agora, nessa nova opção, quem descobriu que se deu mal, está proibido de reparar a bobagem que fez. Olha, esse governo aprontou na vida de todos nós! Os pais, devem olhar para seus filhos e não se esquecerem jamais do ano de 2011. Infelizmente este ano vai ficar na história e o governo também, pois não houve respeito nem às leis e nem ao povo honesto que paga impostos. Professores, não se curvem, não retrocedam, porque o ressurgimento da escola mineira vai depender desta greve. Se vocês forem vitoriosos, a sociedade olhará para vocês e para a escola pública de outra forma, além do que a luta de vocês vai inspirar outras lutas no Estado e no País. Saibam que agora a bravura que estão mostrando para os movimentos sociais e para a sociedade é muito mais do que um enfrentamento por cumprimento da LEI DO PISO, é o resgate do respeito da dignidade e da certeza de que o trabalhador tem poder. Não retrocedam, a sociedade está com vocês.
 
por Luciana Reis

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Greve Ampla Geral e Irrestrita

Greve é um direito, lutar pela educação é um dever de todos os cidadãos de um país. Recusar a participar dessa luta mais do que descaso, omissão ou covardia, é uma traição ao povo, digo ao povo porque o que importa em uma nação não é a pátria, é o povo, ele está acima de tudo.
Atualmente, os professores estão lutando, como sempre o fizeram. Pelo menos uma parte deles, o que me causa estranheza, é ver que alguns se abstêm desse direito e dever sagrado, e tal ato é repugnante. Uma greve que não se da de forma geral e total, pouca ou nenhuma chance tem de obter exito. Poxa uma classe só é forte se é unida.
É uma enorme vergonha ver, que aqueles que deveriam se unir -na minha opinião os únicos que realmente tem poder pra transformar o mundo- se mantem acovardados. 
Mas há os que lutam, e esses estão indignados com a postura de seus próprios colegas. E pra encerrar esse texto, o desabafo de uma professora.




Eu sentiria o maior orgulho do mundo de ser brasileira e de ser professora se tivesse a honra de ver a sociedade se manifestando a favor do professor. Que professor descente não teria orgulho de ver seu aluno organizando manifestações, passeatas, barulhos, nessa greve que nos fere a cada dia. Seria uma chance de mostrar aos políticos ensandecidos e a sociedade que se faz de cega que nemtudo está perdido. Que o mundo ainda é um lugar de pessoas que não pensam só em si mesmas e deixarão obras pra fazer parte da história. Antes de ser retaliada, gostaria tb de dizer que greve é um direito constitucional, não estamos infringindo a lei, nosso governador Anastasista é que está
Falei.....
Prof Luciana   

terça-feira, 24 de maio de 2011

Defensores da Liberdade?

Em um recente discurso proferido no Congresso dos EUA, o primeiro ministro de Israel Binyamin Netanyahu colocou seu país como grande defensor da democracia, liberdade e direitos humanos.
Posicionou ainda, Israel como um baluarte democrático em meio a fundamentalistas selvagens. O mais sínico porém, é que o premiê Netanyahu declarou que "os únicos árabes realmente livres" são os que vivem como cidadãos de Israel.
Todo esse palavreado chega a ser nojento, o discurso do primeiro Ministro Israelense não resiste sequer a uma análise superficial de alguem que acompanhe os noticiários mais sérios.
No último dia 15, durante uma manifestação palestina do Nakba -catástrofe, dia da criação do Estado de Israel, quando centenas de milhares de palestinos foram expulsos de suas casas- o exercito Israelense abriu fogo contra os manifestantes em três pontos da fronteira de Israel, matando pelo menos 17 pessoas. Será que os Israelenses pensavam em democracia ou em direitos humanos quando assassinaram jovens desarmados que só manifestavam o direito de ter um lar?
O que dizer sobre a situação das crianças palestinas, demonstrada em uma série de vídeos postados anteriormente nesse blog.
Pense bem, de qual democracia Netanyahu  estaria falando?
Não acreditem em quem fala de paz enquanto aponta uma arma para sua cabeça. 



sábado, 21 de maio de 2011

Depoimento da Professora Amanda Gurgel sobre a Educação

Não preciso dizer nada, o vídeo já fala tudo. Só gostaria de lembrar que embora a professora relate a situação da educação em um Estado específico, o mesmo pode ser dito sobre a educação no contexto nacional.



sexta-feira, 13 de maio de 2011

Retirado de Blog-lizzi

Cambuí, terra querida, a nossa vida será por ti.
Ou “deveria” ser...

Cultura: Ato, efeito ou modo de cultivar; desenvolvimento intelectualsaber; utilização industrial de certos produtos naturais; estudo; elegância; esmero; sistema de atitudes e modos de agir, costumes e instruções de um povo; conhecimento geral.

Cambuí é uma cidade que teria muito a oferecer em termos de educação, saúde e, dentre outras coisas, turismo e cultura (que é o propósito deste texto). Porém, há um grande empecilho que não permite a cidade de progredir e este se chama “burocracia”.
Há anos não se vê uma melhoria no que diz respeito ao apoio cultural desta cidade, que contém – sem especulações – um dos melhores expoentes musicais da região, provavelmente, até mesmo do Estado ou do País. Veja bem: nenhum músico efetivamente radicado aqui teve sua carreira em evidência, mas bastou que ele próprio tivesse a audácia de buscar reconhecimento em outros pólos (como por exemplo, nas metrópoles) para que seu trabalho fosse reconhecido. O fato é que não existe nenhuma valorização do trabalho (autoral ou não, mas principalmente autoral) de artistas cambuienses.
Não é de hoje que enfrentamos estas situações. Há anos somos, literalmente, abandonados em alguma atração pública ou encaixados em datas e horários totalmente desfavoráveis, ainda que haja alegações de que apenas bandas de Cambuí possam ser escaladas para se apresentarem em festivais realizados pela Prefeitura na cidade para que se faça a justiça de um (falso) apoio – ou o que chamo de “colaboração fantasma”. Fica evidente que, com esta esquematização inventada por “eles”, nenhum artista de fora seria capaz de estar ligado à podridão de uma organização escrota e fútil, como é a dessa tal “Secretaria Cultural”.
Isto cabe não só às bandas de Rock (comumente vistas como perturbadoras e adeptas ao vandalismo), mas também aos grupos de Rap e demais artistas que se encaixem em outros gêneros: estamos sendo enganados, iludidos e manipulados... Enquanto nos esforçamos para ter alguma evidência na cena underground, aqueles que deveriam nos acolher, tanto em prol da sociedade cambuiense quanto em satisfação própria, estão chutando nossas bundas e a gente aceita o pontapé com um sorriso nos lábios e com a falsa esperança de que um dia reconhecerão nosso trabalho. E estamos completamente enganados!
Enquanto ficarmos de braços cruzados esperando que alguma melhoria seja feita, os burocratas de plantão agem como se nada tivesse acontecido e continuam a explorar nossos suor, direta ou indiretamente, deixando a nós a responsabilidade de lidar com um público parcial e ignorante (com exceção de nossos fãs fiéis e amigos que sempre estão nos acompanhando). Entra aí a falta de organização e disciplina em relação aos nossos direitos. Será difícil compreender que não estamos brincando e que queremos SIM crescer e divulgar, com orgulho, nossa cidade?
É inexistente o apoio cultural à música em geral por aqui e isto se torna claro quando frequentamos a Praça Matriz e temos que nos deparar com a monotonia e desordem (muitos irão compreender o que estou dizendo), principalmente nos fins de semana. Devido a isto, a opção mais comum é visitar outras cidades que ofereçam atrações dignas e, possivelmente correr riscos nas estradas, do que se isolar neste território de inesperáveis acontecimentos... Privam-nos do direito de nos expressar, mas não nos dão a possibilidade de evoluir e fazer com que, pelo menos uma parte da população (principalmente a jovem) possa ter opções de divertimento.
Falta estrutura para suportar nossas apresentações; falta entendimento para que tenhamos mais valor; falta apoio para que possamos prosseguir e falta RESPEITO para que possamos trabalhar com dignidade e amor nesta que é a cidade que escolhemos viver, crescer e progredir.
Apenas para reforçar esta idéia: não estamos tratando a música como brincadeira ou hobby! Tenho certeza que para muitos integrantes de bandas/grupos nesta cidade, a música é levada como algo sério e como algo a ser levada pra vida inteira. É claro que, se não existir apoio adequado, a frustração exigirá que o músico tenha que tomar outros rumos para que não morra de fome. E a culpa é de quem? De quem não colaborou para seu devido crescimento ou dele próprio, que escolheu o triste destino de ser músico?
Provavelmente, dos dois.
Aonde, efetivamente, está a cultura em Cambuí?
O pedaço mais feliz do sul de Minas parece não estar TÃO feliz assim...


http://michilizzi.blogspot.com/

terça-feira, 19 de abril de 2011

Ficha Limpa?

A Lei Ficha Limpa, foi uma iniciativa popular para tentar barrar os candidatos condenados pela justiça. A proposta é que se uma pessoa tiver alguma condenação judicial, ela não poderá se candidatar para um cargo político.
Excelente lei, porém a coisa não se deu bem assim. Inicialmente essa lei valeria para o pleito eleitoral de 2010, porém  o atual Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luiz Fux, em uma providencial interpretação da Constituição Federal julgou inconstitucional a aplicação dessa lei e a prorrogou para as eleições municipais de 2012. Com isso, vários políticos que seriam barrados por essa lei puderam assumir seus mandatos.
Mas pensando de outra forma, essa lei é ridícula e demonstra o tamanho da falha de caráter que assola esse país. Em qualquer país sério não é preciso que uma lei diga que quem tem um a condenação judicial não pode se candidatar a um cargo político, é uma coisa obvia, não se vota em pessoas desse tipo e pronto! Se nos é necessário uma lei para nos dizer o que é claro, isso só pode significar que alguma coisa nesse país está muito errada.    



segunda-feira, 28 de março de 2011

A OTAN e a Líbia

A Otan assumirá o comando das operações militares na Líbia. Por que a OTAN e não a ONU? A zona de exclusão aérea e os bombardeios às forças de Muamar Kadafi são essenciais para os rebeldes. Mas, uma ajuda internacional aos rebeldes líbios, para ser legitima, teria que ser liderada por uma organização internacional reconhecida e não por uma aliança militar encabeçada pelos EUA. Por outro lado, a Líbia é um dos maiores produtores mundiais de petróleo, certamente esse fato pesou muito na decisão da OTAN de intervir no país.
Alega-se que a intervenção da Aliança Atlântica, tenha por objetivo proteger civis indefesos. Francamente, por um acaso os EUA pensaram nos civis Iraquianos ou afegãos? Essa intervenção só pode ter um objetivo sincero, o de assumir o controle das reservas de petróleo da Líbia, a desculpa de proteger civis, ou mesmo de destituir Kadafi do poder não passam a olhos mais atentos.
A intervenção é legitima, desde que, comandada pelas forças de paz da ONU.

ENVIEM OS CAPACETES AZUIS PARA A LÍBIA IMEDIATAMENTE
NÃO DEIXEM QUE OS EUA SE APOSSEM MAIS UM PAÍS    


   

quarta-feira, 23 de março de 2011

A copa na Africa e a mídia imperialista


A apresentação de Shakira no evento de abertura da Copa de 2010 foi sem sombra de dúvidas o ápice das atrações daquela festa. Aliás, a mídia deu muito mais atenção às apresentações de cantores internacionais do que aos cantores locais, uma clara atitude imperialista de desprezo pela cultura africana. Bem, voltemos a falar da Shakira, sua música, Waka Waka, fez um enorme sucesso e se transformou no "hino oficial da copa". Essa música porém é somente mais uma música comercial que não merecia ocupar o lugar que ocupou.
O que a grande mídia não fala, é que o verdadeiro "hino oficial da copa", era pra ser uma música chamada "Shosholoza", uma música muito popular na África do Sul e que possui um significado enorme para o povo daquele país, pois está vinculada com a resistência ao Apharteid. Mais uma vez a grande mídia internacional, vinculada ao imperialismo desprezou a cultura africana em vista de seus interesses comerciais.


Eis o verdadeiro hino da copa





 

Christiania, a cidade anarquista

A Lenda da Liberdade no coração gelado do capitalismo europeu: na fria Copenhagen, Dinamarca, uma comunidade de dez mil pessoas vive num outro compasso. Christiania não tem prefeito, não tem eleição e funciona sem governo, sem imposição de leis que controlem a organização social. A lenda da cidade-livre da Dinamarca é real: inspirada no Anarquismo, Christiania resiste há mais de 20 anos, inventando um jeito novo de conviver com os problemas da vida comunitária. Limpeza das ruas, rede de esgoto, manutenção dos serviços básicos, tudo é decidido e feito a partir de reuniões entre os moradores da cidade. Eles se definem como uma comunidade ecologicamente orientada, com uma economia discreta e muita autogestão, sem hierarquia estabelecida e o máximo de liberdade e poder para o indivíduo. Uma verdadeira democracia popular direta, onde o bom senso e o diálogo substituem as leis. No Brasil, poucos conhecem a história da cidade-livre.
Christiania começou a escrever sua história em 1971. Foi a partir das idéias de um jornal alternativo, o Head Magazine, que um grupo de pessoas, de idades e classes sociais variadas, decidiu ocupar os barracos de uma área militar desativada na periferia de Copenhagen. Era o início de uma luta incansável contra o Estado. A polícia tentou várias vezes expulsar os invasores da área, mas sem sucesso. Christiania virou um problema político, sendo discutida no parlamento dinamarquês.
A primeira vitória veio com o reconhecimento da cidade-livre como um “experimento social”, em troca do pagamento das contas de luz e água, até então a cargo dos militares, proprietários da área. O Parlamento decidiu que o experimento Christiania continuaria até a conclusão de um concurso público destinado a encontrar usos para a área ocupada.
Em 73 houve troca de governo na Dinamarca e a situação de radicalizou: o plano agora era expulsar todos e fechar o local. O governo decretou que a área seria esvaziada até o dia 1º de abril de 1976. Na última hora, o Parlamento decidiu adiar o fechamento de Christiania. A população da cidade-livre tinha se mobilizado para o confronto com o Estado, mas a guerra não aconteceu. O dia 1º de abril tornou-se o dia de uma grande manifestação da Dinamarca Alternativa.
Ao longo dos anos, a cidade-livre aprimorou sua autogestão: casa comunitária de banhos, creche e jardim de infância, coleta e reciclagem de lixo; equipes de ferreiros para fazer aquecedores a lenha de barris velhos, lojas e fábricas comunitárias de bicicletas. A década de 80 foi marcada pelas drogas. Em 82, o governo começou uma campanha difamatória contra Christiania: a cidade-livre era considerada o centro das drogas do Norte da Europa e a raiz de muitos males.
A comunidade teve então que organizar programas de recuperação de drogados e expulsar comerciantes de drogas pesadas, como a heroína. O mercado de haxixe continua funcionando normalmente. O governo dinamarquês nunca deixou Christiania em paz, vários planos foram elaborados visando a “normalização e legalização” da área.
Em janeiro de 92, finalmente um acordo foi assinado. Christiania já tinha mais de vinte anos de independência e provara ao mundo que é possível viver em liberdade. Mesmo com o acordo, o governo ainda tenta controlar a cidade-livre. A resposta veio no ano passado, com o lançamento do Plano Verde, onde os moradores de Christiania expressam sua visão de futuro e que
rumos tomar. A lenda de Christiania continua sendo escrita.

Christiania tem provado ao mundo que é possível viver numa sociedade sem autoridade constituída, sem delegação de poder através de mandatos e eleições. A cidade-livre da Dinamarca criou um experimento social definitivo contra a idéia dominante de que a humanidade se autodestruirá se não existir um controle sobre a liberdade individual. Os habitantes de Christiania decidiram correr o risco de andar na contramão da história. Para eles, o governo, seja lá qual for, e seus mecanismos de administração pública são sinônimos de burocracia, abuso de poder e corrupção.
Vivendo sem a necessidade de leis que controlem a organização social, cada morador da cidade livre tem que fazer sua parte enquanto cidadão e confiar que todos farão o mesmo. É uma nova ética de convivência, baseada na honestidade e na solidariedade. Em 23 anos de existência, a cidade-livre sempre esteve associada a rebelião contra a ordem estabelecida e experimentando novos meios de democracia e formas de autogestão da administração pública.
Christiania se organiza em vários conselhos, onde todos os moradores têm direito a opinar e discutir os problemas comunitários. As decisões não são feitas por votação, mas sim através do consenso. Isso significa que não é a maioria que decide e sim que todos tem que estar de acordo com as decisões tomadas nas reuniões. Às vezes, contam-se os votos somente para se ter uma idéia mais clara das opiniões, mas essas votações não tem nenhum significado deliberativo, não contam como uma solução para os problemas da comunidade.
Christiania é dividida em 12 áreas, cada uma administrada pelos seus moradores, para facilitar o funcionamento dos serviços básicos. As decisões tomadas sempre por consenso podem parecer difíceis para nós, brasileiros acostumados ao poder da maioria sobre a minoria (pelo menos, é assim que se justificam os defensores das eleições). Mas para os habitantes da cidade-livre, o consenso só é impossível quando existe autoritarismo, quando alguém tenta impor uma opinião sem dar abertura para que outras idéias apareçam e até prevaleçam como melhor solução.
A experiência tem ensinado aos moradores de Christiania que cada reunião deve discutir só um assunto, principalmente na Reunião Comum, que decide sobre os problemas mais importantes da comunidade. E, contrariando o pessimismo dos que não conseguem imaginar uma vida sem governo institucional, a utopia está dando certo: a vida comunitária de Christiania preserva a liberdade individual e constrói uma eficiente dinâmica de relacionamento social, livre do autoritarismo e da submissão. A cidade-livre vive o anarquismo aqui e agora.
Os moradores da Christiania fazem questão de ser uma pedra no sapato do capitalismo. Eles não se contentam apenas em incomodar os valores tradicionais da sociedade européia com a vida alternativa que levam. Christiania também desenvolve várias atividades com o objetivo de contestar o sistema capitalista e divulgar as idéias anarquistas. Durante os primeiros anos, a cidade-livre se tornou conhecida por suas ações no teatro e na política. E quem conseguiu maior sucesso nessa área foi o grupo Solvognen.
Uma de suas ações diretas mais famosas foi em 1973, quando a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), uma espécie de braço armado dos Estados Unidos na Europa, realizou um encontro de cúpula em Copenhagen. Inspirados no programa de rádio “Guerra dos Mundos” de Orson Welles, que simulou uma invasão de marcianos colocando em pânico a população norte-americana na década de 40, centenas de pessoas, lideradas pelo grupo de teatro de Christiania, fizeram parecer que um exército da OTAN tinha ocupado a Rádio Dinamarca e outros pontos estratégicos da cidade. A impressão que se tinha era que a Dinamarca estava ocupada por forças estrangeiras. Durante várias horas, o país inteiro ficou em dúvida se a invasão era teatro ou realidade. A ação foi uma dura crítica à intervenção dos Estados Unidos na vida dos países europeus.
O Solvognen também usou a criatividade para contestar o comércio da maior festa do cristianismo. Em 1974, o grupo organizou o primeiro Natal dos Pobres da Dinamarca. Milhares de presentes foram distribuídos por um batalhão de Papai Noéis. Detalhe: os presentes eram artigos roubados das lojas de Copenhagen. Resultado: foram todos presos, mas o escândalo ganhou as manchetes dos principais jornais da Europa, com fotos de dezenas de Papais Noéis sendo carregados pela polícia. Até hoje o Natal dos Pobres continua sendo organizado como uma tradição e todo ano aproximadamente 2 mil pessoas recebem uma grande ceia em Christiania.






Retirado do site: http://www.nababu.org/?p=892