quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Contra o cinismo político



O ano de 2014 ficará marcado como o ano do cinismo político, o ano em que a extrema direita mostrou sua cara sem o medo da reação. Tivemos eleições vazias e manipuladas e um retrocesso no quadro político, elegendo o congresso mais conservador desde 1964. Se não bastasse, o resultado da falta de investimento em educação também começa a mostrar seus resultados com o aparecimento de tanta desconstrução Histórica proferida aos ventos.
A campanha de alienação perpetrada por 12 anos de governo petista resultou em uma confiança cínica e desprovida. Cinicamente parte da população foi levada a crer que, Dilma seria um mal menor à volta do PSDB as redias da nação, cinicamente afirmaram que o próximo governo do PT seria “mais à esquerda” que o  anterior. Parte de sua militância, insiste em querer justificar o injustificável, e insiste na ideia de um mal menor, é bem estranho ouvir gente argumentando que, embora o novo ministério montado pela presidenta tenha figuras sabidamente indigestas, um ou dois nomes são louváveis por uma suposta ligação com movimentos sociais. Quanto a isso, basta lembrar do ocorrido com o primeiro ministro a educação de Lula. Antes mesmo de começar seu segundo mandato, Dilma já nos presenciou com cortes de direitos trabalhistas..... bom sinal de qual será a direção desse mandato.
A extrema direita se escancarou diante de nossos olhos e se aproveitou de um profundo despreparo e falta de conscientização popular. Pode parecer engraçado, bizarro e dantesco ver meia dúzia de birutas bradar aos quatro ventos por intervenção militar, impeachment e separação do país, porém isso é sério, o fascismo cresce na falta de organização das forças progressivas, temos que combatê-lo antes que crie raízes.
O mais cínico e triste é ver que a esquerda se divide cada vez mais. Parece que somos incapazes de criar um programa comum que contemple todos os nossos anseios. Isso acontece porque parte da esquerda prefere olhar seus pontos de divergência, afora a diluição dos programas e propostas. Tem sido comum o surgimento de um “socialismo paz e amor”, um socialismo que não fala em insurreição dos trabalhadores nem em luta de classes (como se pode falar em socialismo sem luta de classes eu não sei), a preocupação com temas “vagos e secundários” como corrupção, homofobia e legalização das drogas têm suplantado a pauta da organização da classe trabalhadora para a derrubada da burguesia e a conquista do poder. “Esse trecho merece uma explicação”: não é que eu não considere os temas citados acima sem importância, mas eles só poderão ser superados com a construção do socialismo, essa é a tarefa principal.
A tarefa da esquerda em 2015, é por tanto, em minha opinião, a retomada de um projeto revolucionário que nos coloque em sintonia com a classe trabalhadora em prol da insurreição contra a ordem burguesa e a construção do socialismo como único caminho possível para a humanidade. Temos que combater todas as formas de cinismo político que nos desvie desse caminho. Parafraseando o lema do PCB, partido que tive a honra de reencontrar esse ano e que a meu ver tem a proposta mais sensata e coerente que vi nos últimos anos (recomendo a todos que leiam o artigo produzido no seu XIV Congresso: A Estratégia e a Tática da Revolução Socialista no Brasil):

PELO PODER POPULAR E POR UM BRASIL SOCIALISTA


Desejo a todos um bom ano de lutas e vitórias para nós!!!!         

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