O recente caso de reação conservadora contra um livro pedido para o vestibular do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (Coluni) pode até parecer espantosa, mas não passa de mais um indicio do quão defasado e hipócrita é o atual censo ético e moral vigorante na sociedade. Espantoso foi o recuo da direção do Coluni e mesmo da UFV ao ceder a uma pressão mesquinha e fútil.
Atacar um livro por seu conteúdo erótico é o mesmo que rasgar séculos de evolução social e transformações comportamentais. O mais revoltante porém, é que esses mesmos país que se chocaram com seus filhos lendo contos eróticos, sem duvida nenhuma permitem que seus filhos assistam novelas e tenham acesso a outros conteúdos do "mainstream", que culturalmente não acrescentam nada a ninguém. Essas novelas, que segundo dizem seus autores "possuem um papel civilizatório", são o pior exemplo da baixaria e do lixo cultural que pode haver, 98% o conteúdo transmitido pela televisão em geral é vazio ou nocivo.
Me espanta um pai se incomodar por seu filho ter acesso a conteúdos sexuais. Qual o problema? Por acaso esses pais não fazem sexo? Esse tema não deveria ser tabu. Até porque não é mesmo. E francamente, um adolescente entre doze e quinze anos, querendo os pais ou não, já tiveram de uma forma ou outra acesso a informações de cunho sexual, muitos até já tiveram experiencias sexuais.
Mas a coisa não para por ai, o ataque moralista a literatura é muito mais antigo e profundo. A um tempo atrás chegou a discutir-se no Ministério da Educação a proibição da veiculação nas escolas de livros que não estivessem na "norma culta" da língua portuguesa. Isso significa a proibição de autores como Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Jorge Amado e da maioria dos autores brasileiros do século XX. Espero sinceramente que essa proposta não tenha vingado. Recentemente está sendo discutida a distribuição nas escolas de um livro do Monteiro Lobato por seu conteúdo evidentemente racista. Ao invés de proibir o livro, acho que o contexto dele deveria ser explicado aos alunos o que iria permitir uma outra abordagem sobre o autor.
Mas na nossa sociedade moralista proibir é muito mais agradável do que debater, prova disso é que os país dos alunos que prestarão vestibular para o Coluni preferem proibir o acesso dos filhos a conteúdos eróticos do que conversar sobre o tema.
PS: O Blog do meu amigo Rômulo traz mais informações sobre o caso do livro barrado no vestibular do Coluni, confiram: http://ecos-periferia.blogspot.com.br/2012/09/o-dia-em-que-ufv-cedeu-as-trevas-ao.html
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